Anotar os principais dados durante a incubação é uma das melhores maneiras de entender o desempenho da chocadeira, identificar possíveis falhas e melhorar os resultados dos próximos ciclos.
Não basta saber que foram colocados 100 ovos e nasceram 70 pintinhos. Para descobrir o que aconteceu com os outros 30, é necessário acompanhar informações como fertilidade, desenvolvimento embrionário, temperatura, umidade, viragem, falta de energia e momento da eclosão.
Um bom registro transforma cada ciclo de incubação artificial em uma fonte de informação para a criação de aves.
1. Identificação do lote
Comece dando um nome ou número para cada incubação.
Por exemplo:
Lote 01/2026
Lote 02/2026
Lote 03/2026
A identificação permite relacionar todos os registros ao mesmo grupo de ovos.
Se você trabalha com diferentes fornecedores ou matrizes, esse controle se torna ainda mais importante.
2. Data e horário de início da incubação
Registre o momento em que os ovos foram colocados na incubadora de ovos.
Exemplo:
Início: 20/09/2026 – 14h
O horário é útil principalmente próximo à eclosão.
Para ovos de galinha, o período médio de incubação é de aproximadamente 21 dias, mas isso não significa que todos os pintinhos nascerão exatamente no início do 21º dia.
Registrar o horário evita interpretações erradas sobre nascimentos aparentemente precoces ou atrasados.
3. Espécie incubada
Sempre anote qual espécie está sendo incubada.
Por exemplo:
Galinha
Codorna
Pato
Ganso
Galinha-d’angola
Faisão
Pavão
Cada espécie apresenta duração de incubação e necessidades próprias.
Por isso, não é adequado comparar diretamente ciclos de espécies diferentes.
4. Quantidade de ovos incubados
Registre exatamente quantos ovos entraram na chocadeira.
Por exemplo:
Ovos incubados: 120
Esse número será utilizado posteriormente para calcular indicadores importantes, principalmente a taxa de fertilidade e a taxa de eclosão total.
5. Origem dos ovos
Anote de onde vieram os ovos.
Pode ser:
Produção própria
Fornecedor A
Fornecedor B
Matrizes jovens
Matrizes adultas
Esse registro ajuda a descobrir se determinado fornecedor ou grupo de matrizes apresenta resultados diferentes.
O ideal é manter lotes de origens diferentes identificados separadamente sempre que possível.
6. Idade dos ovos antes da incubação
Registre quantos dias aproximadamente os ovos ficaram armazenados antes de serem colocados na chocadeira.
Por exemplo:
Tempo médio de armazenamento: 4 dias
O tempo e as condições de armazenamento podem influenciar a viabilidade embrionária e o resultado da incubação.
Se um lote apresentar desempenho ruim, essa informação será importante durante a investigação.
7. Transporte dos ovos
Se os ovos foram comprados de outro criador e transportados, registre isso.
Exemplo:
Transporte: sim
Se souber, acrescente informações relevantes:
Distância aproximada: 200 km
ou:
Recebidos por transportadora
Impactos, vibrações e condições inadequadas durante o transporte podem afetar os ovos mesmo quando externamente parecem normais.
8. Temperatura da chocadeira
A temperatura está entre os dados mais importantes para acompanhar.
Registre o valor utilizado de acordo com a espécie, o modelo da chocadeira e as recomendações do fabricante.
Em chocadeiras de ar forçado para ovos de galinha, aproximadamente 37,5 °C é uma referência comum, mas o protocolo específico do equipamento deve ser respeitado.
Mais importante do que anotar apenas o valor programado é registrar alterações relevantes.
Por exemplo:
Dia 9 – temperatura ficou acima do habitual durante aproximadamente 50 minutos.
Isso poderá ser relacionado posteriormente aos resultados do lote.
9. Umidade
Registre também a umidade utilizada durante o ciclo.
É interessante separar:
Umidade durante a incubação
e
Umidade durante a fase de eclosão
A necessidade de umidade não é exatamente a mesma durante todo o processo.
Além do valor indicado pelo equipamento, a evolução da câmara de ar durante a ovoscopia fornece informações importantes sobre a perda de água dos ovos.
10. Temperatura e umidade do ambiente
Esse registro é opcional, mas pode ser muito útil.
Se a chocadeira automática estiver instalada em um ambiente que apresenta grandes variações ao longo do dia, anote condições incomuns.
Exemplos:
Dia extremamente quente
Ar-condicionado ligado durante grande parte do dia
Queda acentuada da temperatura ambiente
Depois de vários ciclos, você poderá perceber se determinadas condições ambientais coincidem com alterações no funcionamento da chocadeira.
11. Funcionamento da viragem
Não presuma que a bandeja está funcionando apenas porque o motor está ligado.
Verifique periodicamente se os ovos realmente mudam de posição.
No registro, você pode utilizar:
Viragem: normal
ou:
Dia 10 – bandeja encontrada parada
Para ovos de galinha, registre também quando a viragem foi interrompida, normalmente próximo ao 18º dia.
12. Falta de energia
Qualquer interrupção significativa de energia merece ser registrada.
Anote:
Dia da incubação
Horário
Duração aproximada
Se havia sistema de backup
Exemplo:
Dia 12 – falta de energia das 14h10 às 15h20.
Não significa que uma interrupção obrigatoriamente provocará mortalidade, mas essa informação poderá ajudar na análise posterior.
13. Primeira ovoscopia
A ovoscopia permite acompanhar o desenvolvimento embrionário.
Uma primeira avaliação costuma ser realizada aproximadamente entre o 7º e o 10º dia, dependendo do protocolo utilizado.
Registre:
Quantidade de ovos com desenvolvimento
Ovos aparentemente claros
Ovos com sinais de mortalidade embrionária
Exemplo:
120 ovos incubados
108 com desenvolvimento
10 aparentemente claros
2 com sinais de mortalidade precoce
14. Segunda ovoscopia
Uma nova avaliação pode ser realizada aproximadamente no 14º dia.
Registre quantos embriões continuam se desenvolvendo.
Exemplo:
Em desenvolvimento: 104
Mortalidade identificada desde a avaliação anterior: 4
Isso ajuda a localizar o período em que as perdas ocorreram.
15. Desenvolvimento da câmara de ar
Durante as ovoscopias, observe a câmara de ar.
Você pode utilizar um registro simples:
Adequada
Maior que o esperado
Menor que o esperado
A câmara de ar ajuda a avaliar indiretamente a perda de água do ovo durante a incubação.
Por isso, ela deve ser analisada junto com os registros de umidade.
16. Mortalidade embrionária
Sempre que possível, classifique as perdas por período.
Uma divisão prática é:
Mortalidade precoce
Mortalidade intermediária
Mortalidade tardia
Isso é muito mais informativo do que registrar simplesmente:
“O ovo não nasceu.”
Se vários embriões morreram aproximadamente na mesma fase, pode existir um padrão que merece investigação.
17. Data em que a viragem foi interrompida
Na fase final, registre quando os ovos deixaram de ser virados.
Para galinhas, isso normalmente ocorre por volta do 18º dia, quando começa a preparação para a eclosão.
Exemplo:
Viragem interrompida: dia 18 – 18h
Esse registro ajuda a reconstruir todo o manejo do ciclo caso ocorram problemas no nascimento.
18. Primeira bicagem externa
Quando aparecer o primeiro pequeno furo na casca, registre.
Exemplo:
Primeira bicagem externa: dia 20 – 9h30
Essa informação ajuda a acompanhar a janela de eclosão.
Se os lotes começarem repetidamente a bicar muito antes ou muito depois do esperado, vale revisar o histórico completo.
19. Primeiro nascimento
Anote quando o primeiro pintinho saiu completamente do ovo.
Por exemplo:
Primeiro nascimento: dia 20 – 18h
Depois registre também o período em que ocorreu a maior parte dos nascimentos.
20. Janela principal de eclosão
Você pode escrever:
Maioria dos nascimentos: noite do dia 20 até o final do dia 21.
O objetivo não é exigir que todos os pintinhos nasçam simultaneamente.
Existe variação natural.
O registro serve para descobrir se, ao longo de vários ciclos, a eclosão está se tornando excessivamente antecipada, atrasada ou muito dispersa.
21. Quantidade de pintinhos nascidos
Ao finalizar o ciclo, registre:
Pintinhos nascidos: 92
Esse número permitirá calcular os principais indicadores da incubação.
22. Ovos que bicaram, mas não eclodiram
Crie uma categoria específica:
Bicou e não nasceu: ____
Esses casos não devem simplesmente ser misturados com todas as outras perdas.
Eles podem fornecer pistas sobre o que aconteceu na fase final da eclosão.
23. Qualidade dos pintinhos
O número de nascimentos não conta toda a história.
Observe também a qualidade dos pintinhos.
Registre se apareceram:
Pintinhos muito fracos
Umbigo aberto
Saco vitelino exteriorizado
Pernas abertas
Dedos tortos
Pintinhos pegajosos
Casca ou membrana aderida
Deformidades
Um caso isolado não significa necessariamente que a chocadeira esteja com problema.
Quando a mesma alteração aparece repetidamente ou em vários pintinhos do mesmo lote, o registro ganha maior importância.
24. Alterações ou manutenção na chocadeira
Se alguma peça foi substituída, anote.
Por exemplo:
Sensor substituído antes do ciclo
Ventilador trocado
Bandeja de viragem ajustada
Termostato substituído
Também registre mudanças na posição da chocadeira ou no ambiente onde ela funciona.
Isso permite comparar os resultados antes e depois da alteração.
25. Observações gerais
Reserve um espaço para acontecimentos que não se encaixam nas outras categorias.
Exemplo:
“Lote apresentou boa fertilidade, mas maior mortalidade no final. Cinco ovos apresentaram bicagem sem eclosão.”
Essas pequenas anotações podem ser extremamente úteis meses depois.
Quais cálculos fazer ao final?
Depois de encerrar o ciclo, transforme os registros em indicadores.
Taxa de fertilidade
Ovos férteis ÷ ovos incubados × 100
Se 108 de 120 ovos eram férteis:
90% de fertilidade.
Taxa de eclosão total
Pintinhos nascidos ÷ ovos incubados × 100
Se nasceram 92 de 120:
76,7% de eclosão total.
Eclosão dos ovos férteis
Pintinhos nascidos ÷ ovos férteis × 100
Se nasceram 92 pintinhos de 108 ovos férteis:
aproximadamente 85,2%.
Os três indicadores devem ser analisados separadamente.
O que é realmente indispensável anotar?
Se você está começando e não quer criar um controle muito complexo, priorize:
Identificação do lote
Data e horário de início
Espécie
Origem dos ovos
Quantidade de ovos incubados
Quantidade de ovos férteis
Resultados das ovoscopias
Temperatura e umidade utilizadas
Funcionamento da viragem
Falta de energia ou outras ocorrências
Primeira bicagem e início da eclosão
Quantidade de pintinhos nascidos
Alterações observadas nos pintinhos
Observações gerais
Esses registros já permitem uma análise muito melhor.
Caderno ou planilha?
Os dois podem funcionar.
Para poucas incubações, um caderno pode ser suficiente.
Para quem realiza ciclos frequentemente, uma planilha facilita cálculos, filtros, gráficos e comparações entre lotes.
O mais importante é utilizar um sistema que você consiga manter.
Não registre dados apenas quando algo dá errado
Um erro comum é começar a fazer anotações somente depois de uma incubação ruim.
Registre também os ciclos excelentes.
Eles serão sua referência.
Se uma incubação atingir bons resultados e produzir pintinhos saudáveis, você terá um histórico das condições daquele lote para comparar com ciclos futuros.
Procure padrões entre várias incubações
Um único ciclo nem sempre permite identificar uma causa.
Depois de vários registros, porém, padrões podem aparecer.
Por exemplo:
fertilidade permanece alta, mas a eclosão diminui;
mortalidade tardia aumenta em determinados lotes;
um fornecedor apresenta resultados diferentes;
os nascimentos ficam repetidamente atrasados;
problemas de umbigo aparecem em vários ciclos.
É justamente nesse momento que os registros passam a ter grande valor.

Saber quais dados anotar durante a incubação permite transformar cada ciclo da chocadeira em informação útil.
Registre desde a origem e idade dos ovos até as ovoscopias, temperatura, umidade, viragem, ocorrências, bicagem, nascimento e qualidade dos pintinhos.
Depois, calcule a fertilidade, a eclosão total e a eclosão dos ovos férteis.
Com o tempo, esses dados ajudam a comparar lotes, reconhecer padrões e investigar perdas com muito mais precisão.
Uma chocadeira bem regulada é importante, mas bons registros também fazem parte de uma incubação artificial eficiente. Na criação de aves, acompanhar o processo é tão importante quanto contar quantos pintinhos nasceram.





