Retirada dos filhotes da chocadeira: cuidados para uma transferência segura

O nascimento dos primeiros filhotes marca uma nova etapa na criação de aves. Depois da eclosão, é preciso planejar a retirada da máquina e a chegada à criadeira, preservando o conforto térmico, a higiene e a identificação do lote.

A retirada deve considerar o estado dos filhotes e as condições do equipamento, sem depender apenas de um horário fixo. Abrir a chocadeira a cada nascimento pode interferir nos ovos que ainda estão eclodindo. Por outro lado, prolongar desnecessariamente a permanência dos primeiros nascidos também exige atenção.

A seguir, veja como organizar esse manejo com cuidado e praticidade.

Como saber se os filhotes estão prontos para sair?

Para pintinhos de galinha e outras aves domésticas que nascem com penugem e se locomovem logo após a eclosão, observe se estão secos, com a penugem solta e capazes de sustentar o corpo.

Filhotes recém-saídos da casca ainda molhados precisam de tempo e condições adequadas para secar. A orientação da Mississippi State University é manter no nascedouro os pintinhos ainda úmidos até que estejam secos e mais firmes.

Não confunda um filhote debilitado com outro que acabou de nascer. Observe também respiração, postura, umbigo e possíveis lesões.

Espécies que nascem com maior dependência dos pais exigem protocolos próprios.

Existe um horário certo para retirar todos?

Não existe um único prazo adequado a todas as espécies, máquinas e lotes.

O momento depende da distribuição dos nascimentos, das condições dos animais e do sistema de manejo. Registre quando os primeiros filhotes foram observados e acompanhe a evolução da eclosão.

Não espere indefinidamente pelo último ovo para retirar os primeiros nascidos. Quando a janela de nascimento é ampla, pode ser necessário planejar retiradas em etapas, conforme orientação técnica.

Também não retire cada pintinho individualmente assim que ele nasce. Organizar o manejo reduz aberturas e facilita a conferência do lote.

Prepare a criadeira antes de abrir a máquina

A criadeira deve estar pronta antes da retirada, com aquecimento funcionando, piso adequado e equipamentos acessíveis.

Confira:

  • Ambiente limpo, seco e protegido de correntes de ar.
  • Condições térmicas apropriadas à espécie.
  • Cama ou superfície com apoio adequado.
  • Comedouros e bebedouros compatíveis com o tamanho dos filhotes.
  • Água limpa e alimentação inicial apropriada.
  • Espaço suficiente para a quantidade recebida.

Não coloque os animais em uma caixa provisória enquanto termina a montagem. O preparo antecipado reduz espera e movimentações desnecessárias.

Organize pessoas, recipientes e trajeto

Defina quem retira, quem confere e quem recebe os filhotes. Em pequenas produções, uma pessoa pode realizar essas tarefas, desde que tudo esteja organizado.

Prepare recipientes próprios para o deslocamento, limpos, secos e ventilados. Verifique se as aberturas não permitem fugas nem oferecem pontos de aprisionamento.

O trajeto deve ser curto e livre de obstáculos. Evite transportar os filhotes sob sol direto, chuva ou vento.

Quando houver deslocamento entre instalações, planeje também as condições de temperatura e circulação de ar durante o percurso. Esses fatores são destacados nas recomendações de transporte da Aviagen. Aviagen

Cuide da higiene durante a retirada

Higienize as mãos e utilize roupas e calçados previstos para a área. Quando o protocolo exigir luvas, elas devem estar limpas e ser trocadas conforme a atividade.

Evite alternar entre recolher resíduos, tocar em superfícies sujas e manipular filhotes sem renovar os cuidados de higiene.

Separe o fluxo dos animais do fluxo de cascas, ovos não eclodidos e materiais usados. Não apoie recipientes limpos no chão.

Produtos de limpeza devem permanecer afastados dos filhotes. A higienização completa da máquina acontece após o encerramento do ciclo e a retirada dos animais.

Como segurar os filhotes com segurança?

Faça movimentos suaves e mantenha o corpo apoiado com a mão, sem apertar o tórax ou o abdômen.

Não levante os filhotes pelas pernas, asas, pescoço ou cabeça. Evite pegar vários de uma vez se isso impedir o apoio adequado.

Aproxime o recipiente de destino para reduzir a distância de transferência. Coloque os animais delicadamente, sem soltá-los de altura.

Agilidade significa eliminar esperas, não acelerar os movimentos a ponto de machucar os filhotes.

Se houver muitos animais, organize o trabalho em etapas compatíveis com a capacidade da equipe.

O que observar na avaliação inicial?

A retirada é uma oportunidade para registrar a condição dos filhotes, sem prolongar excessivamente o manejo.

AspectoO que observar
PenugemSecagem e presença de sujeira aderida
PosturaCapacidade de sustentar o corpo
LocomoçãoApoio das pernas e dificuldades evidentes
RespiraçãoEsforço respiratório ou alterações persistentes
UmbigoSangramento, abertura ou alterações visíveis
CorpoLesões e outras anormalidades

Nenhum item isolado determina todo o prognóstico. Filhotes com alterações precisam de avaliação e manejo próprios.

Não puxe estruturas aderidas ao umbigo nem tente corrigir lesões durante a retirada sem orientação.

Preserve a identificação dos lotes

Mantenha separados os grupos que precisam de acompanhamento individual, especialmente quando possuem origens, espécies ou condições sanitárias diferentes.

Registre a quantidade retirada de cada cesta e o horário. Diferencie:

  • Total de filhotes nascidos vivos.
  • Filhotes encaminhados à criadeira.
  • Animais que exigem avaliação específica.
  • Mortos encontrados no manejo.
  • Ovos ainda presentes.

Não conte um mesmo animal novamente em retiradas posteriores. Preserve também o número inicial de ovos para calcular os indicadores com os denominadores corretos.

Como evitar excesso de calor ou resfriamento?

Os filhotes precisam de condições adequadas durante todo o percurso entre nascedouro e criadeira.

Evite recipientes superlotados, tampas sem ventilação e esperas perto de fontes de calor. Ao mesmo tempo, proteja os animais de superfícies frias e correntes de ar.

Acompanhe o comportamento após a chegada. A distribuição dos pintinhos, a atividade e a respiração ajudam a avaliar o conforto, junto às medições do ambiente.

A Cobb destaca que o período entre retirada e alojamento exige controle térmico e que o comportamento das aves é uma ferramenta importante de avaliação. cobbgenetics.com

Quando oferecer água e alimentação?

Para pintinhos de galinha, organize acesso oportuno à água e à ração inicial adequada assim que forem alojados na criadeira.

A reserva do saco vitelino não deve ser usada como justificativa para atrasar o acesso deliberadamente. A Aviagen recomenda disponibilizar alimento, água e condições apropriadas de criação na chegada ao alojamento.

Verifique se os equipamentos estão ao alcance dos animais e permitem utilização segura.

Não force água na boca nem improvise alimentação para filhotes debilitados. Dificuldades para beber, comer ou permanecer em pé justificam orientação profissional.

O que fazer se ainda houver ovos eclodindo?

Realize apenas a retirada planejada e preserve o manejo dos ovos restantes. Feche a máquina e confira se o funcionamento segue conforme o programa.

Em uma chocadeira automática, verifique quais controles são realmente automáticos. Modelos manuais e semiautomáticos também exigem acompanhamento após a abertura.

Não reinicie a viragem nem altere temperatura e umidade por tentativa. Se houver filhotes presos, sangramento ou muitos ovos sem evolução, solicite apoio técnico.

Retirar os filhotes com segurança exige preparar a criadeira, organizar o trajeto e observar as condições dos animais.

Na incubação artificial, o cuidado continua depois da saída da casca. Manejo delicado, higiene, identificação e acesso oportuno às condições de criação ajudam a tornar a passagem da incubadora de ovos para a criadeira mais organizada e segura.

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