As primeiras 48 horas após o nascimento exigem atenção na criação de aves. Nesse período, os pintinhos passam do ambiente protegido da chocadeira para a criadeira, onde precisam encontrar aquecimento, água e alimento.
Para reduzir o risco de mortes, prepare a criadeira antes da eclosão, transfira os pintinhos secos e acompanhe temperatura, consumo e comportamento. Também é necessário cuidar da higiene e investigar rapidamente sinais de doença.
Essas medidas ajudam a prevenir perdas, mas não garantem que todos os pintinhos sobrevivam. A saúde das matrizes, a qualidade dos ovos e as condições da incubação também influenciam o começo da vida das aves.
Neste artigo, veja quais cuidados priorizar nas primeiras 48 horas de pintinhos de galinha.
A prevenção começa antes do nascimento
O manejo inicial não começa quando o pintinho sai da casca. Ovos de boa origem, equipamentos limpos e incubação bem conduzida fazem parte da prevenção.
Durante a incubação artificial, acompanhe as condições indicadas para a espécie e para o equipamento. Registre alterações e confira o funcionamento dos controles.
A higiene merece atenção especial. Infecções do umbigo e do saco vitelino, conhecidas como onfalite, podem provocar mortes nas primeiras semanas. O Manual Veterinário Merck destaca a importância da prevenção por meio da melhoria das condições sanitárias, especialmente no incubatório.
Prepare a criadeira antes da eclosão
Não espere os primeiros pintinhos nascerem para montar o alojamento. A criadeira deve estar pronta, limpa, seca e com aquecimento ajustado antes da transferência.
Confira também os comedouros, os bebedouros e a cama. A extensão da Universidade Estadual do Mississippi recomenda que todos esses itens estejam preparados quando as aves chegarem.
Uma verificação simples inclui:
- Aquecedor funcionando.
- Termômetro bem posicionado.
- Cama limpa e seca.
- Água disponível.
- Ração inicial adequada.
- Espaço protegido e ventilado.
- Equipamentos acessíveis a todo o lote.
Teste o sistema com antecedência para identificar falhas enquanto ainda há tempo de corrigi-las.
Transfira os pintinhos quando estiverem secos
Depois da eclosão, aguarde a secagem da penugem e avalie as condições das aves para o alojamento. A orientação do Mississippi é retirar os pintinhos quando estiverem secos e acomodá-los sob aquecimento, com água e alimento.
Evite retirar aves ainda molhadas apenas para antecipar a alimentação. Ao mesmo tempo, não prolongue desnecessariamente a permanência dos pintinhos já prontos para sair.
Planeje a retirada conforme o protocolo do equipamento e o andamento da eclosão. A abertura repetida da chocadeira pode prejudicar as condições dos ovos que ainda estão nascendo.
Ajuste o aquecimento pelo termômetro e pelo comportamento
Para pintinhos de galinha, uma referência comum na primeira semana é aproximadamente 32 a 35 °C na zona aquecida, medida na altura das aves. A temperatura precisa ser ajustada ao sistema e às condições locais.
Observe também o lote. Pintinhos com frio podem se amontoar e deixar de procurar água e ração.
Se evitam continuamente a fonte de calor, investigue aquecimento excessivo. Se ficam em apenas um lado, confira correntes de ar.
O objetivo é oferecer conforto e possibilidade de movimentação, com espaço para aproximar-se ou afastar-se do aquecimento.
Disponibilize água desde o alojamento
A água limpa deve estar acessível assim que os pintinhos forem acomodados na criadeira. Não imponha um período de espera para começar a hidratação.
Use bebedouros próprios para aves pequenas. Confira a estabilidade, a altura e o funcionamento dos recipientes.
Observe se todos conseguem beber, inclusive os pintinhos menores ou menos ativos. Ter água no ambiente não significa que o acesso esteja adequado.
Evite despejar água no bico ou forçar líquidos em aves debilitadas. Se um pintinho não consegue beber sozinho, procure orientação profissional.
Ofereça ração inicial completa
A ração também deve estar disponível desde o alojamento. Escolha um alimento completo, indicado para a espécie e a fase de vida, com partículas que os pintinhos consigam apanhar.
A extensão do Mississippi recomenda ração inicial para pintinhos, em apresentação farelada ou triturada, como parte do manejo alimentar.
Não substitua a dieta por milho sozinho ou restos de comida. Observe se o lote encontra os comedouros e se há disputa pelo acesso.
Se a ração molhar, descarte o alimento comprometido, limpe o recipiente e deixe-o secar antes de abastecer novamente.
Mantenha cama seca, espaço e ventilação
A criadeira precisa permanecer adequada durante todo o período, não apenas na chegada.
Confira áreas molhadas perto dos bebedouros, pontos de concentração e obstáculos que dificultam a circulação. Amplie ou reorganize o espaço quando necessário.
A ventilação deve renovar o ar sem lançar correntes fortes diretamente sobre as aves. Temperatura, umidade e ventilação atuam em conjunto no conforto inicial, como destaca a orientação técnica da Aviagen divulgada em 2026.
Evite fechar completamente o ambiente para conservar calor.
O que observar durante as primeiras 48 horas?
Faça verificações frequentes, incluindo momentos de mudança de temperatura, como o anoitecer e o início da manhã.
| Momento | Cuidados principais |
|---|---|
| Antes da transferência | Testar aquecimento, preparar cama, água e ração |
| Primeiras horas de alojamento | Observar distribuição e acesso aos equipamentos |
| Até 24 horas | Conferir consumo, atividade e condições do ambiente |
| Entre 24 e 48 horas | Acompanhar evolução e investigar alterações ou mortes |
Em manejo comercial, o enchimento do papo pode ajudar a avaliar o acesso inicial ao alimento e à água. Os horários dessa avaliação são contados a partir do alojamento, conforme o protocolo utilizado.
Quais sinais exigem avaliação rápida?
Procure ajuda veterinária quando houver:
- Pintinhos incapazes de se levantar.
- Debilidade persistente.
- Dificuldade respiratória.
- Sangramento ou alterações evidentes no umbigo.
- Várias aves sem comer ou beber.
- Mortes repetidas ou aumento rápido das perdas.
Inflamação do umbigo, falta de apetite e prostração podem ocorrer na onfalite, mas esses sinais não permitem confirmar a doença sem avaliação.
Registre o número de aves afetadas, horários, temperaturas e mudanças no manejo. Essas informações ajudam na investigação.
Vitaminas ou antibióticos evitam as mortes?
Não devem ser usados como solução automática. A extensão do Mississippi informa que açúcar, vitaminas e eletrólitos na água não são necessários de rotina para produzir pintinhos saudáveis.
Suplementos podem ter indicações específicas, mas não corrigem frio, falta de água ou higiene inadequada.
Antibióticos exigem orientação veterinária. Na onfalite, o tratamento frequentemente apresenta resultados limitados, reforçando a importância da prevenção sanitária.
Conclusão: prevenção e observação reduzem perdas

Para reduzir mortes nas primeiras 48 horas após a eclosão, priorize alojamento preparado, aquecimento adequado, água, ração e higiene. Observe o lote e corrija rapidamente falhas no ambiente.
Uma chocadeira automática, assim como modelos manuais ou semiautomáticos, pode integrar o planejamento da criação de aves. Porém, o trabalho continua depois que os pintinhos saem da incubadora de ovos. Quando surgirem alterações persistentes ou mortes, investigue a causa com apoio veterinário.





