Registrar os dados da incubação é uma das melhores formas de melhorar os resultados de uma chocadeira. Quando cada ciclo é documentado, fica mais fácil comparar taxas de fertilidade e eclosão, identificar perdas, calcular custos e descobrir quais ajustes estão trazendo melhores resultados.
O controle pode ser feito em um caderno, planilha ou aplicativo. O mais importante é utilizar sempre o mesmo padrão e registrar as informações desde a entrada dos ovos até o nascimento dos pintinhos.
Identifique cada lote de incubação
Comece criando uma identificação para cada lote. Registre a data de entrada dos ovos, espécie, quantidade, origem dos ovos férteis e previsão de eclosão.
Se você utiliza várias chocadeiras, registre também qual equipamento recebeu aquele lote.
Uma identificação simples, como “GAL-01/08” ou “COD-02/08”, já facilita bastante a organização quando existem vários ciclos acontecendo ao mesmo tempo.
Registre a quantidade de ovos colocados
Anote exatamente quantos ovos entraram na incubadora de ovos.
Esse número será utilizado posteriormente para calcular fertilidade, eclosão total e aproveitamento da capacidade da máquina.
Também é interessante registrar quantos ovos foram descartados antes da incubação por apresentarem trincas, deformações ou outras condições inadequadas.
Anote temperatura e umidade
Crie um espaço para registrar temperatura e umidade observadas durante o ciclo.
Não é necessário transformar o controle em algo complicado. Uma rotina de verificações em horários padronizados já permite perceber alterações importantes.
Se ocorrer falta de energia, abertura prolongada da máquina, falha na viragem ou qualquer outra situação fora do normal, registre também.
Essas observações podem ajudar a explicar problemas encontrados posteriormente.
Registre as ovoscopias
Toda ovoscopia deve entrar no histórico do lote.
Anote a data da avaliação, quantidade de ovos férteis, ovos aparentemente inférteis e ovos com desenvolvimento interrompido.
Esses dados permitem calcular:
Fertilidade (%) = ovos férteis ÷ ovos incubados × 100
Se foram incubados 100 ovos e 90 estavam férteis:
90 ÷ 100 × 100 = 90% de fertilidade
Registre o momento de parar a viragem
Anote quando a viragem foi interrompida e quando os ovos entraram na fase final de eclosão.
Esse registro é especialmente útil quando diferentes espécies são incubadas, pois o tempo de incubação e o momento de interromper a viragem podem variar.
Também registre eventuais alterações realizadas na umidade ou em outros parâmetros durante essa fase.
Conte todos os pintinhos nascidos
Depois da eclosão, registre a quantidade total de filhotes que nasceram.
Com esse número, você poderá calcular:
Eclosão total (%) = pintinhos nascidos ÷ ovos incubados × 100
E também:
Eclosão dos férteis (%) = pintinhos nascidos ÷ ovos férteis × 100
Imagine um lote com 100 ovos incubados, 90 férteis e 81 pintinhos nascidos.
A eclosão total será 81%, enquanto a eclosão dos ovos férteis será 90%.
Registre os pintinhos viáveis
Além do número de nascimentos, acompanhe quantos pintinhos estão em boas condições após a eclosão.
Isso permite diferenciar simplesmente “nasceu” de “produziu um pintinho viável”.
Você pode acompanhar:
Pintinhos viáveis (%) = pintinhos viáveis ÷ pintinhos nascidos × 100
Se nasceram 81 pintinhos e 78 estavam viáveis:
78 ÷ 81 × 100 = aproximadamente 96,3%
Registre as perdas
Anote ovos que não eclodiram e, quando houver avaliação apropriada, procure identificar em qual fase ocorreram as perdas.
Também acompanhe a mortalidade dos pintinhos nos primeiros dias caso eles permaneçam na propriedade.
Quando o mesmo tipo de problema aparece repetidamente em diferentes ciclos, os registros ajudam a direcionar a investigação para fatores como qualidade dos ovos, armazenamento, temperatura, umidade, ventilação, viragem ou manejo das matrizes.
Registre os custos de cada ciclo
Se a incubação artificial possui finalidade comercial, acrescente informações financeiras.
Anote gastos com ovos férteis, energia elétrica, higienização, manutenção, mão de obra e outros custos relacionados à produção.
Depois calcule:
Custo por pintinho viável = custo total do ciclo ÷ pintinhos viáveis
Esse indicador ajuda a descobrir se melhorar a taxa de eclosão está realmente reduzindo o custo da produção.
Monte uma planilha de incubação
Uma planilha básica pode conter colunas para:
Data | Lote | Espécie | Ovos incubados | Ovos férteis | Fertilidade | Nascidos | Eclosão total | Eclosão dos férteis | Pintinhos viáveis | Perdas | Custo do ciclo | Custo por pintinho
Também deixe um campo de observações. É nele que devem ser registradas ocorrências como falta de energia, alterações de temperatura, problemas na viragem ou qualquer situação diferente durante o ciclo.
Compare os ciclos
Registrar informações só gera valor quando os dados são analisados.
Compare mensalmente fertilidade, eclosão, pintinhos viáveis, mortalidade embrionária e custo por pintinho.
Se uma chocadeira automática normalmente apresenta bons resultados e a taxa de eclosão começa a cair em vários ciclos consecutivos, o histórico facilita a identificação do momento em que o problema começou.

Para registrar os dados da incubação, acompanhe cada lote desde a entrada dos ovos até a eclosão. Registre principalmente datas, quantidade de ovos, fertilidade, ovoscopias, temperatura, umidade, nascimentos, pintinhos viáveis, perdas e custos.
Na criação de aves, os registros transformam cada ciclo em aprendizado. Quanto maior o histórico da incubadora de ovos, mais fácil fica comparar resultados, corrigir falhas e tornar a incubação artificial mais eficiente e rentável.





