A saída da casca marca uma mudança importante na vida do pintinho. Depois de se desenvolver no ovo, ele passa a depender das condições do ambiente, do acesso à água e da alimentação para continuar seu desenvolvimento.
A transferência da chocadeira para a criadeira precisa ser planejada antes do nascimento. Assim, os pintinhos encontram um espaço preparado, sem espera desnecessária enquanto o criador organiza os equipamentos.
Neste artigo, você vai entender como acompanhar essa transição e quais cuidados adotar nos primeiros dias. As orientações se concentram em pintinhos de galinha; outras espécies exigem protocolos próprios.
Qual é a diferença entre chocadeira e criadeira?
A chocadeira mantém as condições necessárias à incubação artificial dos ovos. Dependendo do sistema, a etapa de nascimento acontece nela ou em um nascedouro separado.
A criadeira recebe as aves depois da retirada e oferece aquecimento, espaço, água e alimentação. Ela precisa permitir que os pintinhos se movimentem e acessem esses recursos.
Mesmo uma chocadeira automática não substitui indefinidamente a criadeira. A organização da produção deve prever cada etapa, incluindo limpeza, capacidade e disponibilidade dos equipamentos.
Prepare a criadeira antes de retirar os pintinhos
Monte e teste o ambiente com antecedência. Confira a fonte de calor, a condição do piso e a distribuição dos comedouros e bebedouros.
A área deve estar limpa, seca e protegida contra predadores, chuva e correntes de ar diretas. Também precisa de ventilação adequada.
Orientações da Universidade Estadual do Mississippi recomendam que instalações, equipamentos, cama, aquecimento, água e ração estejam preparados antes da chegada das aves.
Não espere os pintinhos estarem prontos para sair do nascedouro para começar a organizar o espaço.
Quando tirar os pintinhos da chocadeira?
O momento deve considerar a condição dos animais, a distribuição dos nascimentos e o protocolo utilizado.
A Universidade de Maryland orienta transferir os pintinhos quando estiverem majoritariamente secos e começando a se firmar sobre as patas, levando-os para uma criadeira com aquecimento, ração inicial e água.
Evite uma regra única de horas para todos os lotes. Não retire aves ainda molhadas apenas porque outro pintinho já está seco, nem prolongue desnecessariamente a permanência das que precisam seguir para a criadeira.
Se os nascimentos estiverem muito espaçados, procure orientação para organizar as retiradas.
Como realizar a transferência?
Planeje o trajeto e prepare um recipiente apropriado, limpo e ventilado. Evite movimentações repetidas e exposição dos pintinhos a vento, chuva ou superfícies frias.
Durante a manipulação, sustente o corpo com delicadeza, sem apertar. Não levante os animais pelas asas, patas ou pescoço.
Leve grupos compatíveis com o espaço disponível, sem empilhar ou comprimir as aves. Ao chegar, acomode os pintinhos cuidadosamente e observe como se distribuem.
Higienize as mãos antes e depois do manejo. O recipiente usado no transporte também precisa entrar na rotina de limpeza.
Confira o aquecimento na altura das aves
A temperatura deve ser avaliada no espaço ocupado pelos pintinhos. Uma leitura distante da cama pode não representar a condição que eles encontram.
A Universidade da Flórida recomenda posicionar o termômetro na altura das aves para acompanhar o ambiente de criação.
O ajuste depende da idade, da linhagem, da temperatura da sala e do sistema de aquecimento. Siga as recomendações aplicáveis ao lote e ao equipamento.
Em sistemas com aquecimento localizado, mantenha espaço para que os pintinhos possam se aproximar ou se afastar da fonte de calor.
Observe a distribuição e o comportamento do grupo
As medições precisam ser acompanhadas da observação das aves.
Pintinhos muito agrupados perto do aquecimento podem estar com frio. Quando se afastam intensamente da fonte de calor, pode haver aquecimento excessivo. A ventilação também precisa ser considerada.
Use os sinais para investigar, sem transformar um comportamento isolado em diagnóstico:
| Observação | O que conferir |
|---|---|
| Aglomeração persistente | Aquecimento, correntes de ar e acesso ao espaço |
| Afastamento da fonte de calor | Excesso de calor e possibilidade de ajuste |
| Concentração em um lado | Condições desiguais ou corrente de ar |
| Pouca atividade | Ambiente, acesso aos recursos e saúde |
| Disputa por água ou ração | Quantidade e distribuição dos recipientes |
Reavalie o grupo depois de qualquer ajuste.
Ofereça água limpa e de fácil acesso
Utilize bebedouros próprios para pintinhos, adequados ao tamanho das aves. Evite recipientes profundos que permitam entrada, encharcamento ou afogamento.
Distribua os pontos de água para facilitar o acesso. Confira se existem vazamentos e se a cama está ficando molhada ao redor.
Observe se os pintinhos encontram os bebedouros e começam a beber. Não force água no bico nem utilize seringas para hidratar sem orientação profissional.
A reserva nutritiva do nascimento não justifica atrasar deliberadamente a oferta de água e alimentação.
Escolha uma ração inicial adequada
Ofereça ração inicial completa, indicada para a espécie e a finalidade da criação. Observe também se a apresentação permite que os pintinhos consumam com facilidade.
Não substitua essa alimentação por milho, pão ou misturas caseiras improvisadas. Mantenha a ração protegida de umidade, sujeira e pragas.
O acesso contínuo e fácil à água e à alimentação faz parte do manejo inicial recomendado por serviços de extensão universitária.
Medicamentos, suplementos e rações com aditivos específicos devem seguir orientação adequada ao sistema de criação.
Cuide da cama, da ventilação e da higiene
Escolha um material que ofereça sustentação, absorção e baixa formação de poeira. Evite pisos lisos, materiais mofados e superfícies úmidas.
Retire as partes molhadas ou muito sujas e corrija a causa, como vazamento de bebedouro. Não cubra continuamente a sujeira sem acompanhar sua acumulação.
Mantenha a ventilação sem direcionar correntes de ar sobre as aves. A tentativa de conservar calor não deve eliminar a renovação do ar.
Separe os pintinhos de aves adultas e organize materiais exclusivos para cada lote conforme o planejamento sanitário.
Quais sinais exigem atenção profissional?
Observe atividade, postura, locomoção, olhos, umbigo e aspecto geral. A avaliação da qualidade dos pintinhos inclui essas características, além da procura por sinais de lesão.
Procure orientação veterinária diante de dificuldade respiratória, sangramento, fraqueza persistente, incapacidade de acessar água e ração ou aumento de mortes.
Não tente corrigir alterações nas patas, no umbigo ou na alimentação com procedimentos improvisados. Quando necessário, o profissional deve orientar a separação e o suporte, preservando aquecimento e acesso aos recursos.
Registre a adaptação nos primeiros dias
Anote quantidade de aves alojadas, horários de transferência, condições observadas e ajustes realizados.
Registre perdas e dificuldades de acesso à água ou à alimentação. Relacione essas informações ao lote da incubadora de ovos.
Esse acompanhamento ajuda a distinguir problemas percebidos no nascimento daqueles que aparecem depois do alojamento. Também permite melhorar a preparação da criadeira para os próximos ciclos de criação de aves.

Os cuidados do nascimento à criadeira dependem de preparação e observação. Organize o ambiente antes da retirada, transfira os pintinhos conforme sua condição e ofereça aquecimento, água e ração acessíveis.
A higiene e o acompanhamento diário dão continuidade ao trabalho da incubação artificial e ajudam a identificar rapidamente quando o lote precisa de ajustes ou apoio profissional.





