Uma taxa de eclosão baixa é um dos problemas mais frustrantes para quem trabalha com incubação artificial. Os ovos ficam aproximadamente três semanas na chocadeira, o desenvolvimento parece ocorrer normalmente, mas no final poucos pintinhos conseguem nascer.
Quando isso acontece, é comum imaginar imediatamente que existe algum defeito na chocadeira. Porém, a baixa eclosão pode começar muito antes de os ovos entrarem no equipamento.
Fertilidade das matrizes, qualidade e armazenamento dos ovos, temperatura, umidade, viragem, ventilação, contaminação e manejo durante o nascimento podem influenciar os resultados.
Por isso, em vez de modificar várias configurações ao mesmo tempo, o ideal é seguir uma ordem de investigação.
1. Verifique primeiro a fertilidade dos ovos
Antes de analisar a chocadeira, descubra quantos ovos realmente eram férteis.
Um ovo infértil nunca produzirá um pintinho, mesmo que permaneça em uma incubadora de ovos perfeitamente regulada.
A ovoscopia é uma das ferramentas mais úteis para essa avaliação.
Em ovos de galinha, a primeira ovoscopia costuma ser realizada aproximadamente entre o 7º e o 10º dia.
Em ovos férteis com desenvolvimento normal, geralmente é possível observar vasos sanguíneos e estruturas embrionárias.
Se grande parte dos ovos permanecer clara, o problema pode estar principalmente na fertilidade do plantel.
2. Diferencie fertilidade de taxa de eclosão
Essa distinção é fundamental.
Imagine que foram colocados 100 ovos na chocadeira, mas apenas 60 eram férteis.
Se 50 pintinhos nasceram, houve 50% de nascimento em relação ao total de ovos colocados, mas o desempenho entre os ovos férteis foi muito diferente.
Por isso, acompanhe pelo menos dois números:
Quantidade de ovos férteis e quantidade de pintinhos nascidos desses ovos férteis.
Isso evita responsabilizar a chocadeira por ovos que nunca tiveram desenvolvimento embrionário.
3. Avalie a qualidade dos ovos férteis
Depois da fertilidade, observe a qualidade dos ovos utilizados.
O ideal é selecionar ovos com casca íntegra, formato adequado e tamanho compatível com o padrão da espécie e da linhagem.
Evite incubar ovos rachados, excessivamente deformados ou com problemas importantes na casca.
Ovos muito sujos também exigem atenção, pois a contaminação pode comprometer o desenvolvimento.
Uma chocadeira automática pode controlar vários parâmetros, mas não consegue transformar um ovo de baixa qualidade em um excelente ovo para incubação.
4. Confira quanto tempo os ovos ficaram armazenados
Esse é um fator frequentemente esquecido.
O ovo fértil já contém um embrião em estágio inicial antes de entrar na chocadeira.
Quanto mais prolongado o armazenamento, maior tende a ser a redução da viabilidade e da capacidade de eclosão.
As condições ambientais durante esse período também importam.
Evite temperaturas extremas, mudanças bruscas e armazenamento inadequado.
Sempre que possível, registre a data de postura ou pelo menos a idade aproximada dos ovos.
5. Os ovos foram transportados?
Se os ovos vieram de outro criador, foram enviados por transportadora ou percorreram longas distâncias, considere o transporte na investigação.
Impactos, vibrações, mudanças de temperatura e movimentação excessiva podem afetar estruturas internas sem necessariamente quebrar a casca.
Uma comparação útil é observar lotes de origens diferentes incubados no mesmo equipamento.
Se ovos produzidos localmente apresentam bons resultados e ovos transportados repetidamente apresentam desempenho inferior, a origem e o transporte merecem investigação.
6. Confira a temperatura real da chocadeira
Depois de avaliar ovos e fertilidade, passe para os parâmetros do equipamento.
A temperatura é um dos fatores mais importantes.
Em muitas chocadeiras de ventilação forçada para ovos de galinha, utiliza-se aproximadamente 37,5 °C, mas o valor correto deve seguir o protocolo e as orientações do fabricante.
Mais importante do que pequenas oscilações momentâneas é evitar temperaturas persistentemente acima ou abaixo da faixa adequada.
7. Não confie apenas no número do painel
O visor pode indicar 37,5 °C e isso não significa necessariamente que todos os ovos estejam recebendo exatamente essa temperatura.
Sensores podem apresentar diferenças de calibração.
Além disso, podem existir regiões mais quentes e mais frias dentro do equipamento.
Quando a taxa de eclosão cai sem uma explicação clara, vale verificar a calibração e a distribuição térmica.
Nas chocadeiras de ventilação forçada, observe também o funcionamento do ventilador.
8. O nascimento ocorreu cedo ou tarde?
O momento da eclosão fornece informações importantes.
Ovos de galinha levam, em média, cerca de 21 dias para eclodir.
Existe variação normal, portanto não espere que todos nasçam exatamente no mesmo horário.
Porém, se grande parte dos pintinhos começa a nascer consistentemente antes do esperado, investigue principalmente a temperatura média da incubação.
Se o lote apresenta atraso generalizado, temperatura média baixa, armazenamento prolongado e outros fatores devem ser considerados.
9. Analise a umidade durante todo o ciclo
A umidade controla parte da perda de água do ovo.
O objetivo não é simplesmente manter um número fixo no higrômetro durante todo o processo.
É permitir uma perda de água adequada para que a câmara de ar se desenvolva corretamente.
Umidade persistentemente alta pode resultar em perda insuficiente de água.
Umidade persistentemente baixa pode causar perda excessiva.
Os dois extremos podem prejudicar a eclosão.
10. Observe a câmara de ar
A ovoscopia não serve apenas para descobrir se existe um embrião.
Ela também permite acompanhar a evolução da câmara de ar.
Se a câmara permanecer muito pequena próximo ao final da incubação, pode ter ocorrido pouca perda de água.
Se estiver excessivamente grande, pode ter ocorrido perda elevada.
Essa observação deve ser combinada com os registros de umidade do ciclo.
11. Verifique a umidade durante a eclosão
Na fase final, muitos protocolos aumentam a umidade.
Em ovos de galinha, valores próximos de 65% a 70% são utilizados em muitos sistemas durante a eclosão, mas o valor adequado depende do equipamento e do protocolo.
Depois que o pintinho começa a romper a casca, membranas ficam expostas.
Quedas importantes de umidade podem favorecer seu ressecamento.
Por isso, siga as orientações específicas da sua chocadeira.
12. Confira o sistema de viragem
Se a fertilidade está boa, mas muitos embriões morrem durante o desenvolvimento, verifique a viragem.
Na incubação natural, a própria galinha movimenta os ovos.
Na incubação artificial, esse processo precisa ser reproduzido.
A viragem contribui para o desenvolvimento adequado e para o posicionamento embrionário.
Em chocadeiras automáticas, observe fisicamente a mudança de posição da bandeja.
Não confie apenas no motor ou no painel.
13. A viragem foi interrompida no momento correto?
Para ovos de galinha, normalmente a viragem é interrompida aproximadamente no 18º dia.
Nesse período começa a preparação para a eclosão.
Continuar movimentando os ovos durante essa fase pode interferir no posicionamento adequado do pintinho.
Por isso, confira também a programação da chocadeira automática.
14. Verifique a ventilação
O embrião precisa de oxigênio.
À medida que cresce, sua demanda aumenta.
Nos últimos dias de incubação, a troca gasosa se torna especialmente importante.
Nunca feche entradas de ventilação apenas para tentar aumentar temperatura ou umidade.
Essa prática pode reduzir a disponibilidade de oxigênio e aumentar a concentração de dióxido de carbono.
Temperatura, umidade e ventilação precisam trabalhar em conjunto.
15. Quantas vezes a chocadeira foi aberta durante a eclosão?
Essa pergunta é especialmente importante quando muitos pintinhos chegaram a bicar a casca, mas não conseguiram sair.
Abrir repetidamente a máquina pode provocar alterações rápidas na temperatura e, principalmente, na umidade.
Quando existem membranas expostas, uma queda brusca da umidade pode favorecer o ressecamento.
Evite abrir a chocadeira apenas para observar os ovos ou retirar cada pintinho imediatamente após o nascimento.
16. Descubra em qual fase os embriões morreram
Esse é um dos passos mais importantes para encontrar a causa de uma baixa taxa de eclosão.
Não coloque todos os ovos que não nasceram na mesma categoria.
Procure diferenciar:
Ovo aparentemente infértil: não houve desenvolvimento identificado.
Mortalidade precoce: desenvolvimento começou, mas foi interrompido nos primeiros dias.
Mortalidade intermediária: o embrião avançou, mas morreu antes da fase final.
Mortalidade tardia: o pintinho estava bastante desenvolvido ou completamente formado, mas morreu próximo à eclosão.
Bicou e não nasceu: chegou ao processo de nascimento, mas não conseguiu completá-lo.
Cada padrão direciona a investigação para fatores diferentes.
17. Observe a qualidade dos pintinhos que nasceram
A taxa de nascimento não é o único indicador de sucesso.
Observe também os sobreviventes.
Eles nasceram ativos?
A penugem secou normalmente?
Existem muitos pintinhos pegajosos?
Há umbigos abertos?
Sacos vitelinos exteriorizados?
Pernas abertas ou dedos tortos?
Os nascimentos ocorreram muito cedo ou tarde?
Quando baixa eclosão e alterações nos pintinhos aparecem juntas, essas informações podem ajudar a identificar padrões.
18. Higiene e contaminação também precisam ser avaliadas
Contaminações podem causar mortalidade embrionária.
Mantenha boas práticas de higiene desde a coleta dos ovos.
A chocadeira também deve ser limpa e higienizada adequadamente entre os ciclos, seguindo as recomendações do fabricante.
Ovos com vazamentos, mau cheiro ou deterioração evidente representam um alerta.
Evite abrir ovos deteriorados sem necessidade, pois podem conter grande quantidade de microrganismos.
19. Investigue as matrizes
Se os parâmetros da incubação estão adequados, volte a atenção para o plantel reprodutor.
Idade, genética, estado sanitário e nutrição das matrizes podem afetar fertilidade, qualidade dos ovos e desenvolvimento embrionário.
Uma alimentação completa e adequada para aves reprodutoras é importante.
Deficiências nutricionais não devem ser corrigidas simplesmente adicionando grandes quantidades de vitaminas aleatoriamente.
O ideal é revisar toda a alimentação.
20. Compare diferentes lotes
Um único ciclo ruim fornece algumas informações.
Vários ciclos registrados fornecem muito mais.
Anote:
- quantidade total de ovos;
- quantidade de ovos férteis;
- origem;
- idade aproximada dos ovos;
- temperatura;
- umidade;
- resultados das ovoscopias;
- funcionamento da viragem;
- ocorrências de falta de energia;
- dia das primeiras bicagens;
- período principal de eclosão;
- quantidade de nascimentos;
- alterações encontradas nos pintinhos;
- quantidade aproximada de mortes precoces e tardias.
Com esses registros, padrões começam a aparecer.
O que verificar primeiro? Uma ordem prática
Quando a taxa de eclosão estiver baixa, siga esta sequência:
1. Fertilidade dos ovos.
2. Qualidade e origem dos ovos.
3. Tempo e condições de armazenamento.
4. Temperatura real e calibração da chocadeira.
5. Umidade e evolução da câmara de ar.
6. Funcionamento e interrupção da viragem.
7. Ventilação.
8. Manejo durante a eclosão.
9. Momento em que ocorreu a mortalidade embrionária.
10. Saúde, nutrição e genética das matrizes.
Essa sequência evita começar a investigação modificando aleatoriamente os controles da incubadora.
Não altere tudo de uma vez
Depois de um ciclo ruim, pode surgir a vontade de mudar temperatura, umidade, ventilação e viragem ao mesmo tempo.
Evite.
Se o próximo ciclo melhorar, você não saberá qual mudança ajudou.
Se piorar, também será difícil identificar o motivo.
Faça alterações baseadas em evidências encontradas no lote e mantenha registros.
Quando procurar ajuda profissional?
Se a taxa de eclosão permanece baixa em vários ciclos, mesmo utilizando ovos férteis de boa procedência e uma chocadeira aparentemente regulada, vale buscar orientação de um médico-veterinário ou profissional especializado em reprodução e incubação de aves.
Isso é ainda mais importante quando aparecem mortalidade elevada, deformidades frequentes, pintinhos muito fracos, sinais de infecção ou problemas sanitários no plantel.

Quando a taxa de eclosão está baixa, não comece aumentando a temperatura ou modificando a umidade sem saber o que aconteceu.
O primeiro passo é verificar a fertilidade.
Depois, analise qualidade e armazenamento dos ovos, temperatura, umidade, câmara de ar, viragem, ventilação e manejo durante a eclosão.
Por fim, descubra em qual fase ocorreu a maior parte das perdas.
Na criação de aves, uma boa investigação considera todo o processo, desde as matrizes até o nascimento.
A chocadeira, a qualidade dos ovos e o manejo trabalham em conjunto. Quanto melhores forem os registros de cada ciclo, mais fácil será corrigir falhas e aumentar gradualmente a eficiência da incubação artificial e da sua incubadora de ovos.
Uma taxa de eclosão baixa é um dos problemas mais frustrantes para quem trabalha com incubação artificial. Os ovos ficam aproximadamente três semanas na chocadeira, o desenvolvimento parece ocorrer normalmente, mas no final poucos pintinhos conseguem nascer.
Quando isso acontece, é comum imaginar imediatamente que existe algum defeito na chocadeira. Porém, a baixa eclosão pode começar muito antes de os ovos entrarem no equipamento.
Fertilidade das matrizes, qualidade e armazenamento dos ovos, temperatura, umidade, viragem, ventilação, contaminação e manejo durante o nascimento podem influenciar os resultados.
Por isso, em vez de modificar várias configurações ao mesmo tempo, o ideal é seguir uma ordem de investigação.
1. Verifique primeiro a fertilidade dos ovos
Antes de analisar a chocadeira, descubra quantos ovos realmente eram férteis.
Um ovo infértil nunca produzirá um pintinho, mesmo que permaneça em uma incubadora de ovos perfeitamente regulada.
A ovoscopia é uma das ferramentas mais úteis para essa avaliação.
Em ovos de galinha, a primeira ovoscopia costuma ser realizada aproximadamente entre o 7º e o 10º dia.
Em ovos férteis com desenvolvimento normal, geralmente é possível observar vasos sanguíneos e estruturas embrionárias.
Se grande parte dos ovos permanecer clara, o problema pode estar principalmente na fertilidade do plantel.
2. Diferencie fertilidade de taxa de eclosão
Essa distinção é fundamental.
Imagine que foram colocados 100 ovos na chocadeira, mas apenas 60 eram férteis.
Se 50 pintinhos nasceram, houve 50% de nascimento em relação ao total de ovos colocados, mas o desempenho entre os ovos férteis foi muito diferente.
Por isso, acompanhe pelo menos dois números:
Quantidade de ovos férteis e quantidade de pintinhos nascidos desses ovos férteis.
Isso evita responsabilizar a chocadeira por ovos que nunca tiveram desenvolvimento embrionário.
3. Avalie a qualidade dos ovos férteis
Depois da fertilidade, observe a qualidade dos ovos utilizados.
O ideal é selecionar ovos com casca íntegra, formato adequado e tamanho compatível com o padrão da espécie e da linhagem.
Evite incubar ovos rachados, excessivamente deformados ou com problemas importantes na casca.
Ovos muito sujos também exigem atenção, pois a contaminação pode comprometer o desenvolvimento.
Uma chocadeira automática pode controlar vários parâmetros, mas não consegue transformar um ovo de baixa qualidade em um excelente ovo para incubação.
4. Confira quanto tempo os ovos ficaram armazenados
Esse é um fator frequentemente esquecido.
O ovo fértil já contém um embrião em estágio inicial antes de entrar na chocadeira.
Quanto mais prolongado o armazenamento, maior tende a ser a redução da viabilidade e da capacidade de eclosão.
As condições ambientais durante esse período também importam.
Evite temperaturas extremas, mudanças bruscas e armazenamento inadequado.
Sempre que possível, registre a data de postura ou pelo menos a idade aproximada dos ovos.
5. Os ovos foram transportados?
Se os ovos vieram de outro criador, foram enviados por transportadora ou percorreram longas distâncias, considere o transporte na investigação.
Impactos, vibrações, mudanças de temperatura e movimentação excessiva podem afetar estruturas internas sem necessariamente quebrar a casca.
Uma comparação útil é observar lotes de origens diferentes incubados no mesmo equipamento.
Se ovos produzidos localmente apresentam bons resultados e ovos transportados repetidamente apresentam desempenho inferior, a origem e o transporte merecem investigação.
6. Confira a temperatura real da chocadeira
Depois de avaliar ovos e fertilidade, passe para os parâmetros do equipamento.
A temperatura é um dos fatores mais importantes.
Em muitas chocadeiras de ventilação forçada para ovos de galinha, utiliza-se aproximadamente 37,5 °C, mas o valor correto deve seguir o protocolo e as orientações do fabricante.
Mais importante do que pequenas oscilações momentâneas é evitar temperaturas persistentemente acima ou abaixo da faixa adequada.
7. Não confie apenas no número do painel
O visor pode indicar 37,5 °C e isso não significa necessariamente que todos os ovos estejam recebendo exatamente essa temperatura.
Sensores podem apresentar diferenças de calibração.
Além disso, podem existir regiões mais quentes e mais frias dentro do equipamento.
Quando a taxa de eclosão cai sem uma explicação clara, vale verificar a calibração e a distribuição térmica.
Nas chocadeiras de ventilação forçada, observe também o funcionamento do ventilador.
8. O nascimento ocorreu cedo ou tarde?
O momento da eclosão fornece informações importantes.
Ovos de galinha levam, em média, cerca de 21 dias para eclodir.
Existe variação normal, portanto não espere que todos nasçam exatamente no mesmo horário.
Porém, se grande parte dos pintinhos começa a nascer consistentemente antes do esperado, investigue principalmente a temperatura média da incubação.
Se o lote apresenta atraso generalizado, temperatura média baixa, armazenamento prolongado e outros fatores devem ser considerados.
9. Analise a umidade durante todo o ciclo
A umidade controla parte da perda de água do ovo.
O objetivo não é simplesmente manter um número fixo no higrômetro durante todo o processo.
É permitir uma perda de água adequada para que a câmara de ar se desenvolva corretamente.
Umidade persistentemente alta pode resultar em perda insuficiente de água.
Umidade persistentemente baixa pode causar perda excessiva.
Os dois extremos podem prejudicar a eclosão.
10. Observe a câmara de ar
A ovoscopia não serve apenas para descobrir se existe um embrião.
Ela também permite acompanhar a evolução da câmara de ar.
Se a câmara permanecer muito pequena próximo ao final da incubação, pode ter ocorrido pouca perda de água.
Se estiver excessivamente grande, pode ter ocorrido perda elevada.
Essa observação deve ser combinada com os registros de umidade do ciclo.
11. Verifique a umidade durante a eclosão
Na fase final, muitos protocolos aumentam a umidade.
Em ovos de galinha, valores próximos de 65% a 70% são utilizados em muitos sistemas durante a eclosão, mas o valor adequado depende do equipamento e do protocolo.
Depois que o pintinho começa a romper a casca, membranas ficam expostas.
Quedas importantes de umidade podem favorecer seu ressecamento.
Por isso, siga as orientações específicas da sua chocadeira.
12. Confira o sistema de viragem
Se a fertilidade está boa, mas muitos embriões morrem durante o desenvolvimento, verifique a viragem.
Na incubação natural, a própria galinha movimenta os ovos.
Na incubação artificial, esse processo precisa ser reproduzido.
A viragem contribui para o desenvolvimento adequado e para o posicionamento embrionário.
Em chocadeiras automáticas, observe fisicamente a mudança de posição da bandeja.
Não confie apenas no motor ou no painel.
13. A viragem foi interrompida no momento correto?
Para ovos de galinha, normalmente a viragem é interrompida aproximadamente no 18º dia.
Nesse período começa a preparação para a eclosão.
Continuar movimentando os ovos durante essa fase pode interferir no posicionamento adequado do pintinho.
Por isso, confira também a programação da chocadeira automática.
14. Verifique a ventilação
O embrião precisa de oxigênio.
À medida que cresce, sua demanda aumenta.
Nos últimos dias de incubação, a troca gasosa se torna especialmente importante.
Nunca feche entradas de ventilação apenas para tentar aumentar temperatura ou umidade.
Essa prática pode reduzir a disponibilidade de oxigênio e aumentar a concentração de dióxido de carbono.
Temperatura, umidade e ventilação precisam trabalhar em conjunto.
15. Quantas vezes a chocadeira foi aberta durante a eclosão?
Essa pergunta é especialmente importante quando muitos pintinhos chegaram a bicar a casca, mas não conseguiram sair.
Abrir repetidamente a máquina pode provocar alterações rápidas na temperatura e, principalmente, na umidade.
Quando existem membranas expostas, uma queda brusca da umidade pode favorecer o ressecamento.
Evite abrir a chocadeira apenas para observar os ovos ou retirar cada pintinho imediatamente após o nascimento.
16. Descubra em qual fase os embriões morreram
Esse é um dos passos mais importantes para encontrar a causa de uma baixa taxa de eclosão.
Não coloque todos os ovos que não nasceram na mesma categoria.
Procure diferenciar:
Ovo aparentemente infértil: não houve desenvolvimento identificado.
Mortalidade precoce: desenvolvimento começou, mas foi interrompido nos primeiros dias.
Mortalidade intermediária: o embrião avançou, mas morreu antes da fase final.
Mortalidade tardia: o pintinho estava bastante desenvolvido ou completamente formado, mas morreu próximo à eclosão.
Bicou e não nasceu: chegou ao processo de nascimento, mas não conseguiu completá-lo.
Cada padrão direciona a investigação para fatores diferentes.
17. Observe a qualidade dos pintinhos que nasceram
A taxa de nascimento não é o único indicador de sucesso.
Observe também os sobreviventes.
Eles nasceram ativos?
A penugem secou normalmente?
Existem muitos pintinhos pegajosos?
Há umbigos abertos?
Sacos vitelinos exteriorizados?
Pernas abertas ou dedos tortos?
Os nascimentos ocorreram muito cedo ou tarde?
Quando baixa eclosão e alterações nos pintinhos aparecem juntas, essas informações podem ajudar a identificar padrões.
18. Higiene e contaminação também precisam ser avaliadas
Contaminações podem causar mortalidade embrionária.
Mantenha boas práticas de higiene desde a coleta dos ovos.
A chocadeira também deve ser limpa e higienizada adequadamente entre os ciclos, seguindo as recomendações do fabricante.
Ovos com vazamentos, mau cheiro ou deterioração evidente representam um alerta.
Evite abrir ovos deteriorados sem necessidade, pois podem conter grande quantidade de microrganismos.
19. Investigue as matrizes
Se os parâmetros da incubação estão adequados, volte a atenção para o plantel reprodutor.
Idade, genética, estado sanitário e nutrição das matrizes podem afetar fertilidade, qualidade dos ovos e desenvolvimento embrionário.
Uma alimentação completa e adequada para aves reprodutoras é importante.
Deficiências nutricionais não devem ser corrigidas simplesmente adicionando grandes quantidades de vitaminas aleatoriamente.
O ideal é revisar toda a alimentação.
20. Compare diferentes lotes
Um único ciclo ruim fornece algumas informações.
Vários ciclos registrados fornecem muito mais.
Anote:
- quantidade total de ovos;
- quantidade de ovos férteis;
- origem;
- idade aproximada dos ovos;
- temperatura;
- umidade;
- resultados das ovoscopias;
- funcionamento da viragem;
- ocorrências de falta de energia;
- dia das primeiras bicagens;
- período principal de eclosão;
- quantidade de nascimentos;
- alterações encontradas nos pintinhos;
- quantidade aproximada de mortes precoces e tardias.
Com esses registros, padrões começam a aparecer.
O que verificar primeiro? Uma ordem prática
Quando a taxa de eclosão estiver baixa, siga esta sequência:
1. Fertilidade dos ovos.
2. Qualidade e origem dos ovos.
3. Tempo e condições de armazenamento.
4. Temperatura real e calibração da chocadeira.
5. Umidade e evolução da câmara de ar.
6. Funcionamento e interrupção da viragem.
7. Ventilação.
8. Manejo durante a eclosão.
9. Momento em que ocorreu a mortalidade embrionária.
10. Saúde, nutrição e genética das matrizes.
Essa sequência evita começar a investigação modificando aleatoriamente os controles da incubadora.
Não altere tudo de uma vez
Depois de um ciclo ruim, pode surgir a vontade de mudar temperatura, umidade, ventilação e viragem ao mesmo tempo.
Evite.
Se o próximo ciclo melhorar, você não saberá qual mudança ajudou.
Se piorar, também será difícil identificar o motivo.
Faça alterações baseadas em evidências encontradas no lote e mantenha registros.
Quando procurar ajuda profissional?
Se a taxa de eclosão permanece baixa em vários ciclos, mesmo utilizando ovos férteis de boa procedência e uma chocadeira aparentemente regulada, vale buscar orientação de um médico-veterinário ou profissional especializado em reprodução e incubação de aves.
Isso é ainda mais importante quando aparecem mortalidade elevada, deformidades frequentes, pintinhos muito fracos, sinais de infecção ou problemas sanitários no plantel.
Conclusão
Quando a taxa de eclosão está baixa, não comece aumentando a temperatura ou modificando a umidade sem saber o que aconteceu.
O primeiro passo é verificar a fertilidade.
Depois, analise qualidade e armazenamento dos ovos, temperatura, umidade, câmara de ar, viragem, ventilação e manejo durante a eclosão.
Por fim, descubra em qual fase ocorreu a maior parte das perdas.
Na criação de aves, uma boa investigação considera todo o processo, desde as matrizes até o nascimento.
A chocadeira, a qualidade dos ovos e o manejo trabalham em conjunto. Quanto melhores forem os registros de cada ciclo, mais fácil será corrigir falhas e aumentar gradualmente a eficiência da incubação artificial e da sua incubadora de ovos.





